terça-feira, 21 de junho de 2011

Amor bruto?


Dobro, risco, desenho, sujo e marco as páginas dos meus livros. E daí? Esse é – além de um pouco aconselhável sentimento de posse – um dos motivos de eu não gostar de ler livros emprestados. O outro motivo, que não é novidade, é que gosto de ter bem à mão aquilo que me interessa. Outro dia descobri que a minha afilhada também é assim. Embora não sejamos do mesmo sangue, a convivência ao longo dos anos mostra que o fruto não cai – mesmo – longe do pé. Mas voltando ao tema principal: já fui execrada por estes hábitos tão pouco condizentes com o meu amor pelos livros. Mas acho coerente, afinal, tal comportamento apenas denota muita intimidade. Intimidade que inclui pegar no sono com livros ao meu lado na cama a ponto de, com um golpe de edredom, lançá-los ao chão junto com óculos, sem a menor cerimônia. Já anotei números de telefone em páginas de livros (e quando os releio fico morta de curiosidade acerca do possível “anotado”) e já sofri acidentes porque tenho também o hábito de comer lendo – outra hora falo sobre isso. Horrível? Não. Para mim tudo isso é normal. Anormal é deixar livros dormindo para sempre em estantes, criando bolor e ácaros sem irem para a vida. Anormal é não ler, é ver o filme e não ler o livro, é ler as resenhas e achar que está bom. Acho que, guardadas as devidas proporções, livro é como filho: por mais que os amemos, precisamos berrar com eles de vez em quando. Mas até o berro é sinal de amor. E tenho dito.

3 comentários:

naomemandeflores disse...

Nossa, estava falando sobre isso ontem! Também faço anotações nos meus livros e, quase sempre, marco parágrafos ou frases que me marcam naquele momento de leitura. É curioso voltar depois e tentar entender porque aquelas palavras me afetaram tanto anteriormente.


Camila Faria

Mi Müller disse...

Denise querida, concordo em gênero, número e grau, tanto que também escrevi uma vez um texto sobre esta relação hehehehe...
Eu amei este livro de Mindlin, todo leitor deveria ter o prazer de ler :)
estrelinhas coloridas...

Cecilia Nery disse...

Sim, sim, sim, concordo com você.
Não chego a anotar com frequência, mas têm livros que gosto de fazer isso, de assinalar e comentar ao lado. Afinal, é um diálogo com o livro. Procuro tomar cuidado, mas gosto de ver alguns livros meus caindo aos pedaços. Eles mostram o quanto foram manuseados e participaram das inúmeras mudanças e ciclos da minha vida. Até quero fazer um post sobre isso, quem sabe a semana que vem.
E, se empresto, procuro colocar pequenos post it para depois anotar o que gostei, é o jeito.
Legal você falar sobre isso. Beijos.