terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Bibliotecas da minha vida



Minha primeira biblioteca ficava a cerca de dois quarteirões da casa aonde morava e tinha – em prateleiras baixas para melhor acesso – o que me parecia ser um verdadeiro mundo de livros e, antes mesmo de saber de existência de Jorge Luis Borges, já a identificava como um paraíso. Ali li e reli, encantada, boa parte das obras infantis que povoaram a minha infância, em uma época em que ganhar livros era coisa para aniversário e Natal, e olhe lá. A prova do meu amor pelos livros ficou clara quando propus à minha mãe trocar os chocolates da Páscoa por novas opções de leitura. Sabiamente minha mãe não aceitou o negócio, mas passou a incluir livros nas cestas de Páscoa da minha meninice.
Muito mais tarde, já às vésperas da faculdade e morando em outro endereço na mesma cidade, localizei e passei a frequentar, dessa vez para retirar os livros e ler em casa, a Biblioteca Érico Veríssimo, convenientemente instalada na casa dos avós desse que ainda hoje é um dos meus escritores favoritos, um sobrado antigo e mais ou menos restaurado, na época cercado de jardins. Não sei como está hoje, nunca mais voltei lá. Naquele ano, esperei cerca de seis meses para direcionar a minha bússola para Porto Alegre, onde morei alguns anos. Já com o segundo grau concluído, espantei o tédio aproveitando aqueles seis meses para atacar e devorar as modestas três estantes. Vem dali a minha relativa intimidade com os clássicos franceses, ingleses, russos e alguma coisa de literatura brasileira. Pouco escapou da minha fúria e hoje vejo que já li muitíssimo mais rápido do que atualmente. Quem disse que o cérebro não fica mais lento?
A terceira biblioteca da minha vida foi a da PUC de Porto Alegre, que já me parecia imensa e, hoje me dizem, era uma sombra do que é hoje. Em uma época na qual as opções que eu tinha eram comprar livros ou comer, optei por manter corpo e alma juntos e creio que durante os anos de faculdade adquiri poucos livros, mas também li quase tudo o que havia disponível de literatura. Lia no trabalho, no ônibus, durante as aulas chatas e, muitas vezes, substituí o sono pelos livros. Não associo aqueles tempos como de grandes dificuldades financeiras como de fato foram, mas como um período rico em descobertas e de abertura de horizontes cada vez mais largos.
Hoje pouco frequento livrarias. Os tempos de empréstimos de livros acenderam em mim um sentimento de posse gigante, tanto que não gosto de tomar livro emprestado. Quero tê-los debaixo do meu teto, à minha disposição o tempo todo, mas continuo associando a ideia de paraíso a uma grande biblioteca, local mágico onde, durante tantos anos fui, durante horas inteiras, profundamente feliz.

4 comentários:

Anônimo disse...

Oba!!!! Postagem nova!!!! Mas acho que ainda prefiro as livrarias do que as bibliotecas....hehehe....beijo amiga
Leticia

Cecilia Nery disse...

Que bacana saber a sua história com as bibliotecas que passaram pela sua vida. Amo bibliotecas, tanto que ainda hoje as frequento, pego livro emprestado e tudo o mais, embora tenha uma pilha lá em casa esperando por mim. Sei lá, o fascínio que as bibliotecas me proporcionam fala mais alto, um verdadeiro paraíso, como você falou... Beijos.

Anônimo disse...

Estou com dois livros emprestados da biblioteca municipal... romances de Sue Monk Kidd... "A Vida Secreta das Abelhas" e "A Sereia e o Monge"... o primeiro já posso devolver.
Página

Daniele Silveira disse...

Olá, o nome do seu Blog me causou muita curiosidade. Gostei muito do jeito que você escreve. Iniciei meu próprio Blog sobre livros recentemente (há uma semana), quando puder dê uma passadinha por lá: http://livrosdepapyro.blogspot.com.br
Abs